domingo, 27 de dezembro de 2015

Editorial RC: OS AMIGOS E A POLÍTICA PARTIDÁRIA

(Por Nacélio Maia) 
Leio com muita tristeza pessoas amigas, próximas, vizinhas e até familiares se digladiando em palavras duras e perfurantes por conta de paixões ou interesses político-partidários.
Mesmo antes da disputa nas urnas, transformam a vida e os relacionamentos num verdadeiro octógono e promovem um cruel MMA de agressões verbais que ferem tanto quanto o impacto físico de um soco no queixo que nocauteia o dito amigo.
Venho ao longo da minha vida aprendendo, exercitando e alimentando os relacionamentos entre amigos e familiares, pois não há tesouro maior nesta vida que poder desfrutar destes momentos com pessoas queridas que inspiram, confortam, suportam (no sentido de dar suporte), que disponibilizam o ombro, que caminham junto.
Prá mim é algo inacreditável (a minha mente não consegue alcançar) ver pessoas tão próximas, que compartilham etapas importantes da vida nos momentos alegres e tristes, amigos que valem a pena trocando agressões e violentando a preciosidade das suas amizades motivados pelas paixões político-partidárias, pelas cores e pelos números de partidos e políticos.
O que eu tenho a dizer sobre isso?
Nenhum político, nenhum mesmo, justifica um amigo perdido ou o estremecimento de relações familiares.
Os políticos brasileiros (salvo raríssimas exceções) não sabem o que é honra, não sabem o que é dignidade, não veem o cidadão como alvo de suas ações, mas o veem apenas como instrumentos coisificados como plataformas para o êxito político, simplesmente porque para estes a política é uma profissão e um meio de vida e jamais um canal de serviço as pessoas, especialmente as que mais precisam.
Políticos no Brasil (repito, salvo raríssimas exceções), são homens e mulheres de negócio, cujo projeto é muito mais de enriquecimento e poder do que serviço público honesto.
Estes senhores e senhoras não merecem o sacrifício das amizades perdidas e dos relacionamentos familiares estremecidos e comprometidos.
Meus amigos e minhas amigas, não se permitam entrar neste octógono, não vale a pena. Escolham, torçam, militem e até trabalhem, mas preservem os relacionamentos e o primeiro passo é:
ACEITAR A ESCOLHA DO OUTRO sem tentar convertê-lo no peito e na raça a sua escolha.
Isso não impede que defendamos a nossa escolha. Podemos falar, escrever, discursar, ocupar espaços públicos e tudo quanto necessário para expor nossas opiniões e defender nossas escolhas, contanto que o façamos sem passar por cima dos princípios que regem as amizades verdadeiras e os relacionamentos familiares, bens tão preciosos à vida.
Os políticos passam e as amizades devem permanecer.
As pessoas são e sempre serão mais importantes que as coisas.
O amigo ama em todos os momentos;
é um irmão na adversidade.
(Provérbios 17:17)